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O aumento do papel e a relevância das tecnologias geoespaciais em defesa e segurança

A demanda pelos serviços oferecidos pelas tecnologias geoespaciais para diversas aplicações, como utilidades, transporte, defesa e inteligência, desenvolvimento de infraestrutura, entre outros, tem crescido, significativamente, ao longo dos anos. A tecnologia geoespacial é uma área de interesse em evolução, que compreende Sensoriamento Remoto, Sistema de Posicionamento Global e Sistema de Informações Geográficas. As empresas que operam no campo da tecnologia geoespacial oferecem imagens de satélite, serviços de mapeamento de levantamento aéreo e serviços de dados de satélites, entre outros. Esta tecnologia permite obter informações sobre a superfície da Terra, que são usadas para análises e visualizações posteriores. Os avanços crescentes e a miniaturização de sensores abriram novas perspectivas para a coleta de dados geoespaciais. As versões menores dos sistemas existentes, por exemplo, para minissatélites ou drones, que são equipados com vários sensores, estão permitindo que os especialistas reúnam dados que pareciam impossíveis na década passada. A tecnologia geoespacial está desempenhando um papel crucial na revolução das missões espaciais. Alguns anos atrás, projetar, lançar e operar satélites costumava ser um negócio caro. Mas, com o advento de pequenos satélites e CubeSats, que são integrados à tecnologia geoespacial, as missões espaciais estão se tornando mais econômicas.


Tecnologia Geoespacial. Ilustração disponível em Geospatial World.

Com a modernização das tecnologias militares, a maneira como as guerras estão sendo travadas mudou completamente ao longo dos anos. Hoje, as forças de defesa precisam estar preparadas contra as estratégias de insurgência, o armamento avançado e a guerra virtual emergente, o que torna o uso da Inteligência em relação à previsão e prevenção de tais movimentos tão crucial quanto as operações de guerra no solo. As ferramentas geoespaciais fornecem a capacidade de prever, monitorar e combater ameaças e ajudar a planejar e apoiar as operações de campo. O uso de software de análise geoespacial de ponta, Big Data e tecnologias de imagem avançadas, junto com os satélites de Sensoriamento Remoto de alta resolução, drones e outros sensores, permite um fluxo uniforme de dados cruciais entre as agências de aplicação da lei e de Inteligência para lidar com cenários pré, reais e pós-guerra. As imagens em tempo real e as percepções das áreas afetadas são extremamente importantes para aumentar o tempo de resposta a emergências, especialmente em zonas de alto risco, como as fronteiras nacionais. Considerando o fato de que as situações podem se transformar completamente a qualquer momento, a importância da consciência situacional tem sido reconhecida pelas autoridades de defesa em todo o mundo. Os dados geoespaciais são bastante úteis para as operações de segurança de fronteira para fornecer informações precisas de consciência situacional, permitindo a rápida tomada de decisão, enquanto, por outro lado, reduz os riscos e aumenta a segurança nacional.


Para apoiar as operações do exército em todo o mundo e ajudar as Unidades do Exército a ficarem prontas para quaisquer circunstâncias desfavoráveis, a equipe de Informações e Serviços Geoespaciais do Comando Ambiental do Exército dos EUA (USAEC) faz uso das tecnologias geoespaciais. Ele usa as tecnologias para efetivamente coletar, armazenar, interpretar, examinar e exibir as informações para aprimorar a tomada de decisão das forças de defesa. As Forças de Defesa de Israel, por sua vez, estão modernizando seu equipamento para se equiparar às capacidades das forças globais. Em linha com os programas de modernização, o Poder Hidrográfico da Marinha de Israel (INHB) está mudando para a adoção da tecnologia de Sistema de Informação Geográfica (SIG). Isso faz parte da infraestrutura de dados espaciais marítimos (MSDI) totalmente avançada do país.


Alguns dos principais atores que oferecem tecnologias geoespaciais para aplicações de defesa e segurança são HEXAGON Geospatial, ESRI, Trimble, MAXAR e Harris Geospatial, entre outros. As empresas têm investido em P&D e em avanços tecnológicos para oferecer tecnologias geoespaciais mais eficientes para fins de defesa e segurança. Por exemplo, em janeiro de 2020, a MAXAR assinou um contrato de longo prazo com a Defense Geographic Agency (DGeo) do Ministério da Defesa da Holanda, de acesso ao SecureWatch, uma plataforma de Inteligência terrestre baseada em nuvem. A MAXAR também renovou contratos internacionais de defesa e Inteligência para clientes na região do Oriente Médio e Ásia no valor de mais de US$ 120 milhões em julho de 2020. Além disso, a HEXAGON Geospatial tem trabalhado para fornecer expertise de Geoespacial Deep Learning e tecnologias de análise de Big Data para usuários de seus sistemas aos redor do mundo.


Os desafios associados aos dados geoespaciais dizem respeito ao seu processamento e análise. Esses problemas podem ser facilmente corrigidos e os valiosos dados geoespaciais podem ser usados ​​com eficácia pela aplicação de tecnologias como Inteligência Artificial (IA) e Aprendizado de Máquina (ML). Uma boa compreensão da Inteligência geoespacial (Geointeligência) é crucial para a consciência situacional do campo de batalha para as forças de defesa. Com a crescente digitalização de plataformas e sensores de inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR), há um aumento na demanda por ferramentas de Inteligência Artificial, Big Data e Aprendizado de Máquina para coletar, armazenar e analisar um tamanho cada vez maior de imagens de satélite e dados de Inteligência.


Os processos de IA e ML podem avaliar imagens e vídeos e identificar ameaças com mais rapidez e eficácia do que os operadores humanos. O Projeto Maven – um programa do Departamento de Defesa dos Estados Unidos para criar um sistema de investigação alimentado por IA para veículos aéreos não tripulados (UAVs) – é baseado nos algoritmos de IA e ML que, atualmente, usam uma plataforma baseada em TensorFlow para preparar análises preditivas de filmagens de drones.


As tecnologias geoespaciais oferecem grandes perspectivas de fortalecimento das forças de defesa e segurança, oferecendo imagens em tempo real e percepções das áreas afetadas que ajudam na estratégia das operações militares. A incorporação de Big Data e IA com tecnologias geoespaciais aumenta, ainda mais, a usabilidade dos dados geoespaciais.


Impacto do COVID-19 no mercado de tecnologia geoespacial


Os dados geoespaciais desempenham um papel importante na detecção dos desenvolvimentos e movimentos dos exércitos. Ajuda na preparação de estratégias para conter os ataques e minimizar as perdas com armamentos e salvar a vida dos soldados em um campo de batalha. Os investimentos no programa Espacial ajudam as nações a impulsionar o desenvolvimento de tecnologia e o avanço em serviços e produtos digitais para fins de defesa e segurança. A pandemia de COVID-19 criou devastação em todo o mundo e impactou, severamente, o fluxo de caixa para o setor de defesa, pois cada vez mais orçamento tinha que ser alocado para apoiar os sistemas de saúde. Os pequenos e médios atores são severamente afetados pela crise econômica e estão lutando para continuar suas operações. Com o início dos programas de vacinação contra COVID-19 em todo o mundo, as ameaças relacionadas à infecção estão diminuindo e a normalidade nos negócios, em todo o mundo, deve ser retomada em breve. Espera-se que isso dê um impulso ao investimento governamental no setor de defesa e segurança, o que beneficiará o mercado de tecnologia geoespacial no futuro.


O surgimento de tecnologias geoespaciais no campo da defesa e segurança deve aumentar a eficiência dos órgãos de inteligência de defesa e impulsionar as capacidades das forças armadas ao longo dos anos. A adoção de tecnologias geoespaciais levará a um aprimoramento na tomada de decisões das forças de defesa e segurança e ajudará os estabelecimentos militares a planejar estratégias robustas e tecnologicamente orientadas que irão aprimorar a Inteligência de Defesa das nações.



(Traduzido e adaptado de um artigo de Himanshu Joshi, publicado no website Geospatial World, disponível em www.geospatialworld.net).

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